terça-feira, 28 de abril de 2009

Expurgos de VIDA VIVA!


Nas águas do bravo mar de Itapoá carreguei-me de força, proteção, agradecimento, carinho, amor, sentimento.... Banhada na espuma morna, misturada a areia escura, no raso de um fundo de verdadeiro calor, meu corpo boiava e me projetava pra fora de lá: imagens convictas de tudo mudar.

Embora a delícia de ali estar, trouxesse a coragem pra continuar, a vontade crescia de lá não mais levantar....

O salgado do mar trouxe a sede a recordar, que aquele ali não era o meu lugar e doente da alma não podia mais ficar.

Então, de pé vigiando ondas, sentindo o vento gelado no corpo molhado, fui ao encontro do abraço apertado, daqueles de paz e energizado a sede matar. Matando-a, fez em mim nascer um outro tipo de querer, um querer que não se relaciona com poder, que não há limites no seu permanecer e que só fortalece o meu jeito de ser.

Voltando aos pares de uma luta de iguais, percebi em mim, onde não existem rivais, que o que se mostra são sinais, de que na vida, do que se quer, se faz!

Minha vida é viva e nela não cultivo feridas, transponho filosofia soberba, reflexo no sabor de sove-las e somente por isso hoje sorri. Porque pude sentir, de volta a rotina, que apesar do tanto porvir, ainda posso querer mudar e seguir, tenho amigos que prezam, torcem e oram por mim.

Não tenho medo de ameaças que constrangem a minha digna postura de ser, eu sou! E isso não vai morrer. Por mais que partam, sem ao menos o machado usar, parte daquilo que fui conquistar, regenerarei com férteis fibras o caminho por onde vou passar. Eu passo!

Não fico! Não finco raízes onde não há possibilidade de voar. Sou agora um ser de aparadas asas, tateando um vôo que já vai chegar.

Hoje não choro porque a certeza esta em mim, ela me pegou, me abraçou e projetou pra bem longe, bem longe daqui.

Mas ainda assim fico triste, por mais que saiba que tudo isso existe, fico triste pelo infeliz que se felicita em mutilar aquele que não facilita. Fico triste pela habilidade na mesmice de constranger alguém, que toma o (des)humano com tanto conformismo à se mostrar melhor pra quem?

Ainda bem que não preciso disso, sei quem sou e porque fico, meus amigos, meus fãs, meus amantes queridos, todos eles sabem o que digo, sou fêmea capaz de lavar a alma e tudo mais. Sou forte presente amarelo do sol, que se ilumina, se banha, se orienta e esplandece o mais belo girassol.

O jogo de interesses vitais vai além de simples gestos de leva e trás, ele vem imposto sem gosto no meio do rosto daquele que quer sempre muito mais, de atitudes pequenas, por vezes serenas e de ambigüidades que não cessão mais.

Preservar a vida é bem mais que a corrida, ela embute família, a saúde e a paz. Hoje não choro mais! Sei que não sou melhor que ninguém, mas o sol me ilumina também, não me disponho a acomodar, tenho muito estrada à caminhar e a cada passo que posso dar, muitos desvios posso encontrar, e são meus instintos que vão me guiar e banhada de mar eles vão aflorar e às minhas certezas eu vou conseguir chegar.

“Eu vou navegar nas ondas do mar eu vou navegar...”

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Outra versão, anterior a posterior

.. a gente nunca esquece
aquilo que acontece e nem sempre padece. De muitos ou de todos os enganos, qual desses em primeiro plano?
Uma vida de contrários, desilusão paterna, força materna, responsabilidades precoces, perda irrecuperável à morte, enganos, ciúmes... estudos? Sim, estudo desatento, o pensamento no próximo momento.... trabalho, casa, colégio.
O começo, onde o que se forma em nós, na infância, adolescência... a gente nunca esquece.
Bem cedo senti a perda.
Bem cedo senti a luta.
Bem cedo aprendi o valor de coisas, sentimentos, ressentimentos...
Bem cedo descobri que a vida não é uma novela, ela se revela surpreendente e desafiadora.
Quis morrer, me esconder... numa sacola de papel, de supermercado casas da banha (porquinho rosa), uma maça e lençol, era tudo que pensava em levar, onde ir? Onde ficar? Eu, me jogar? Desse jeito tudo vai terminar e por mim quem vai chorar? A guerreira não merece! Já tem muito que aborrece.
O jeito é desistir de desistir, aprender a guerrear e na luta me engajar... Procurar pelo silêncio que um dia via chegar.

terça-feira, 14 de abril de 2009

... a gente nunca esquece

… aquele momento de partida, do seu pai todo herói, que se foi e então negou todo aquele seu amor.

… aquele momento de lágrima, de sua mãe toda heroína, que brigou muito por uma rotina, procurando trabalho sem estudos e enfrentando a luta pelo mundo.

…aquele momento da infância onde, ao invés de ser criança, que brinca de casinha, se já tem o seu filhinho, que na verdade é seu irmãozinho, e a sua moradia, incluindo a lavanderia, não faz parte da fantasia.

… aquele momento de quase morte, onde de frente para sorte, só sentia o desistir, fugir, voar pela passarela ou usar sua aquarela para tudo abstrair.

… aquele momento de perda, do irmão quase filho, que virou anjo e não duvido.

… aquele momento com madrinha, que sempre lhe sorria e tudo adivinha.

… aqueles momentos com vizinhos presentes como parentes.

… aqueles momentos de aventura com o irmão de cor escura, descobrindo, documentos, o trabalho, filas, tormentos, brincadeiras e muito movimento.

… aqueles momentos de amores que sempre provocaram dores, de muitos sobraram flores, histórias e bons senhores, amigos e até um filho.

… aqueles momentos de ilusão, onde se acreditou com paixão, com grandeza e admiração que aquela ajuda seria aceita de coração.

... aqueles momentos de tristeza em que se constata toda frieza, daquela que foi um dia tudo aquilo que se queria.

.... aqueles momentos de alegria onde se percebe toda harmonia, num conjunto de poesias os amigos em plena euforia.

.... aqueles momentos de aprendizado, onde se deixa tudo de lado, assimilando a todo momento até o movimento do vento.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A Primeira Vez....

Aos 13 dias do mês do Abril do ano 9 do século 21, com alguma dificuldade, criei esse blog. É certo que esse desejo existia em mim, mas, a falta de tempo e de conhecimento para isso, adiavam esse momento. O incentivo e a ajuda veio de um encontro virtual, com uma dessas criaturas especiais que existem pelo mundo, aquelas pessoas que nem sabem o bem que nos fazem com pequenos gestos... Fico grata pelos amigos que tenho.

O curioso é que hoje vinha pelo caminho pensando na quantidade de coisas que tenho guardado dentro de mim e que gostaria de expressar à algumas figuras que fazem ou fizeram parte da minha vida. Quero escrever grandes cartas, que trazem e fazem a conexão dos contextos geradores de conflitos mal resolvidos, no meu ponto vista. Com essa atitude, eu espero que os receptores dessas mensagens tenham o privilégio de rever e agir a partir de um conhecimento que até então era ignorado, para, quem sabe, mudar o rumo da historia. Talvez seja mais uma das minhas atitudes ingénuas, mais um "erro" de postura da minha parte, mas ainda sim, é o que eu sei fazer, errar, me ferrar, aprender e continuar.

Ao meu pai, para convence-lo de me ajudar a comprar minha casa; ao pai do meu filho, para que ele pague a pensão sem ter que leva-lo ao juízo e dê mais atenção ao nosso filho; a uma mulher muleca que tinha como amiga, para que ela devolva o que é meu sem mais e maiores dificuldades, entendendo que eu a ajudei quando ela precisou e agora ela me prejudica bastante; a um poeta lindo que atiçou meus desejos mais profundos, trocou provocações comigo e me deixou sem dizer o porquê e nem ao menos um thau; o soneto de nascimento de minha sobrinha, aceitando o desafio de um amigo querido que deseja publicar meus escritos; os depoimentos que amigos pedem que eu faça para mostrarem aos outros o quanto são queridos por mim.... muitas palavras.... magoas..... desejos... algumas historias.... Na minha cabeça tudo isso se forma, mas dá a isso fôrma, expressar, organizar ideias, requer tempo, concentração, vontade, confiança e todas essas coisas juntas não se encontram para cada um desses citados, como resolver?

Tenho o péssimo hábito de achar que as coisas se resolvem por si mesmas, não é assim, já percebi isso, mas ainda sim, tenho dificuldade de agir.

Vou me esforçar! Tratar meus limites com mais cautela, equilibrando passividade com voracidade e escrevendo pra não perder a vontade de crescer.

Obrigada Henrique por me incentivar a não desistir.