
Nas águas do bravo mar de Itapoá carreguei-me de força, proteção, agradecimento, carinho, amor, sentimento.... Banhada na espuma morna, misturada a areia escura, no raso de um fundo de verdadeiro calor, meu corpo boiava e me projetava pra fora de lá: imagens convictas de tudo mudar.
Embora a delícia de ali estar, trouxesse a coragem pra continuar, a vontade crescia de lá não mais levantar....
O salgado do mar trouxe a sede a recordar, que aquele ali não era o meu lugar e doente da alma não podia mais ficar.
Então, de pé vigiando ondas, sentindo o vento gelado no corpo molhado, fui ao encontro do abraço apertado, daqueles de paz e energizado a sede matar. Matando-a, fez em mim nascer um outro tipo de querer, um querer que não se relaciona com poder, que não há limites no seu permanecer e que só fortalece o meu jeito de ser.
Voltando aos pares de uma luta de iguais, percebi em mim, onde não existem rivais, que o que se mostra são sinais, de que na vida, do que se quer, se faz!
Minha vida é viva e nela não cultivo feridas, transponho filosofia soberba, reflexo no sabor de sove-las e somente por isso hoje sorri. Porque pude sentir, de volta a rotina, que apesar do tanto porvir, ainda posso querer mudar e seguir, tenho amigos que prezam, torcem e oram por mim.
Não tenho medo de ameaças que constrangem a minha digna postura de ser, eu sou! E isso não vai morrer. Por mais que partam, sem ao menos o machado usar, parte daquilo que fui conquistar, regenerarei com férteis fibras o caminho por onde vou passar. Eu passo!
Não fico! Não finco raízes onde não há possibilidade de voar. Sou agora um ser de aparadas asas, tateando um vôo que já vai chegar.
Hoje não choro porque a certeza esta em mim, ela me pegou, me abraçou e projetou pra bem longe, bem longe daqui.
Mas ainda assim fico triste, por mais que saiba que tudo isso existe, fico triste pelo infeliz que se felicita em mutilar aquele que não facilita. Fico triste pela habilidade na mesmice de constranger alguém, que toma o (des)humano com tanto conformismo à se mostrar melhor pra quem?
Ainda bem que não preciso disso, sei quem sou e porque fico, meus amigos, meus fãs, meus amantes queridos, todos eles sabem o que digo, sou fêmea capaz de lavar a alma e tudo mais. Sou forte presente amarelo do sol, que se ilumina, se banha, se orienta e esplandece o mais belo girassol.
O jogo de interesses vitais vai além de simples gestos de leva e trás, ele vem imposto sem gosto no meio do rosto daquele que quer sempre muito mais, de atitudes pequenas, por vezes serenas e de ambigüidades que não cessão mais.
Preservar a vida é bem mais que a corrida, ela embute família, a saúde e a paz. Hoje não choro mais! Sei que não sou melhor que ninguém, mas o sol me ilumina também, não me disponho a acomodar, tenho muito estrada à caminhar e a cada passo que posso dar, muitos desvios posso encontrar, e são meus instintos que vão me guiar e banhada de mar eles vão aflorar e às minhas certezas eu vou conseguir chegar.
“Eu vou navegar nas ondas do mar eu vou navegar...”
